RIO – Ex-vocalista do Raimundos e Rodox, Rodolfo conta que a religião o salvou do vício e de uma doença grave. Segundo ele, no segundo culto da Bola de Neve Church de que participou em sua casa, ele já abolira o cigarro de maconha em respeito às religiosas:

- Uma delas ficou orando com a mão na minha cabeça e depois a colocou na minha barriga. Olhou direto nos meus olhos e disse: ‘O Senhor Jesus manda te dizer que nessa tarde está te curando de um câncer no estômago’. Ela não sabia nada da minha vida: nem que eu tinha dor no estômago nem que estava ema-grecendo e cheio de caroços. Não conhecia o meu histórico familiar de várias pessoas que já tinham morrido de câncer do estômago. Naquela tarde, quan-do as irmãs se despediram para ir embora, não sentia mais a dor de estômago. Em dois dias, não tinha mais caroço nenhum no corpo. Depois de duas semanas, engordei 19 quilos. Não precisava de exame nenhum para saber o que eu tinha e que eu tinha sido curado.

À aparente cura milagrosa seguiram-se o abandono total da droga e a saída conturbada dos Raimundos. Três anos depois, em 2004, o episódio se repetiria com o término da banda Rodox, que ele criara com a intenção de divulgar o evangelho. Hoje, Rodolfo é acompanhado apenas do baterista Anderson Kuhne, que é de sua igreja, e do baixista Guilherme Horn, seu cunhado. Ainda assim, foi o próprio vocalista quem gravou todos os instrumentos no seu primeiro CD solo, fato que deve se repetir no novo disco que começa a preparar em junho, com previsão de lançamento para setembro.

- Fica mais fácil reproduzir o que vem na minha cabeça quando não há banda. As duas saídas foram meio parecidas. O Rodox foi uma banda que montei para evangelizar. As músicas tentavam passar uma mensagem cristã em meios em que o gospel não entrava, como a MTV e shows de hardcore. A gente era muito diferente e isso começou a ficar cada vez mais nítido. Certas atitudes não condiziam com o que estávamos cantando em cima do palco. Eu queria evangelizar, mas eles não. Naturalmente a gente se separou. Eram objetivos diferentes – limita-se a dizer.

Daquela época, Rodolfo guarda poucas amizades. Uma delas é a do baixista Canisso, que fazia parte da formação original dos Raimundos e viria a integrar o Rodox em 2003. Morando em Brasília, entretanto, os dois dificilmente se encontram. O mesmo não se pode dizer de Pablo, filho de Rodolfo com uma ex-namorada, hoje com 15 anos. De acordo com o músico convertido, eles se vêem freqüentemente:

- Encontro direto com ele. É um grande amigo que tenho. Ele já foi várias vezes para a igreja comigo e tenho a certeza de que ele tem um pai melhor hoje.

Os fãs também ficaram para trás:

- Milhões de fãs que me amavam passaram a me odiar da noite para o dia. Sempre achei uma droga essa coisa de ser ídolo. Não gosto nem de dar autógrafos.

E se, quando saiu dos Raimundos, ele repetia à exaustão a importância da música “Vinte poucos anos”, sucesso de Fábio Júnior regravado pela banda, hoje, aos 30 e poucos anos, Rodolfo se mostra um homem de fases e diz nem se lembrar da canção:

- Nem lembro dessa música, sequer do que ela quer dizer. Essa foi uma fase que passou. Talvez, naquela época, quisesse dizer alguma coisa. Hoje não quer dizer nada.

 

Publicada em 22/05/2007 às 13h30m

Lauro Neto

oglobo.globo.com/…/2007/05/21/295849378.asp

RIO – O culto evangélico começa na Bola de Neve Church, e o pastor Gilson Mastrorosa anuncia a chegada “do homem de Deus” Rodolfo Abrantes. A cena que aconteceu na última quarta-feira na igreja dos surfistas da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, se repetiu na noite deste domingo: o ex-vocalista dos Raimundos e do Rodox subiu ao altar em forma de prancha de surfe mais para pregar do que para cantar.

- Não vou fazer show porque nem me considero mais artista. Pus minhas coisas a serviço de Deus – dizia ele minutos antes de começar a tocar as músicas de seu CD “Santidade ao Senhor”, o primeiro assumidamente gospel, pela Bola Music.

Apesar da declaração, bastam alguns acordes para ver que o rock de Rodolfo continua parecido. Ao menos ritmicamente. O coro da assembléia também lembra os fãs que cantavam de cor as canções de suas bandas anteriores. Mas apenas lembra. Em vez dos berros e palavrões comuns nos shows de hardcore, os gritos mais ouvidos agora são os de “Aleluia!”, “Glória a Deus!” e “Amém!”. Rodolfo está completamente mudado.

Convertido.

- Não ia mais cantar um negócio que para mim era uma palhaçada, que simplesmente não me dizia mais nada. Não conseguia pegar o microfone e falar com um cara na minha frente que ele tinha que fumar maconha, porque eu não fumava mais. Não agüentava mais ser mentiroso, hipócrita, e era isso que eu tinha virado. O tempo passou, e meus CDs, as mulheres, a grana, meus fãs, as drogas, nada disso conseguia me fazer feliz. Naquele momento, os palavrões que eu cantava, as mulheres que eu tinha pego, as drogas que tinha usado, as mentiras que eu tinha contado, nada mais valia. Sabe o que é ter uma conta abarrotada de dinheiro, um monte de discos de ouro e de platina empilhados dentro do armário? Nem na parede eu coloquei porque eles não serviam para nada. Sabe o que é ter milhões de fãs espalhados pelo Brasil que sabem seu nome e o dia em que você nasceu e isso não servir para nada? – indagava o Rodolfo renovado.

A apresentação musical demora pouco mais de 40 minutos e é seguida da pregação, um testemunho de uma hora em que Rodolfo conta como “aceitou Jesus” depois da conversão da sua mulher Alexandra. Tem sido assim desde o término da banda Rodox. Se antes o vocalista vivia de aeroporto em aeroporto viajando por conta de turnês, hoje o faz para propagar a sua experiência de fé e salvação:

- Hoje tenho vontade de ser pastor. Minha mulher e eu viajamos o tempo inteiro para pregar a palavra de Deus. Mas hoje mesmo eu reclamei que não agüentava mais essa vida de aeroportos, porque cheguei de Nova York, onde passei um mês, dormi uma noite em casa, e já estou aqui no Rio.

Alexandra é uma das únicas boas recordações que Rodolfo guarda da fase anterior à sua conversão. Os dois se conheceram em 1995 em Balneário Camboriú, onde moram hoje. Com 22 anos na época, o então vocalista dos Raimundos se encantou pela menina de 15 anos que era intérprete dos integrantes dos Ramones, banda na qual os roqueiros de Brasília se inspiravam e para a qual abririam um show naquela cidade. Seis anos depois, os dois se reencontraram e passaram a morar juntos em um apartamento em São Paulo. Foi um dos momentos mais tensos da vida do casal por conta das brigas constantes e das drogas.

- Eu era viciado desde os 13 anos de idade e não conseguia passar um dia sem fumar maconha. As outras drogas eram apenas recreativas. A gente vivia drogado, e ela, já saturada disso, começou a buscar ajuda na Bíblia, com um grupo de irmãs, daquelas bem velhinhas, com a saia que ia até os pés. Naquela época, a agenda lá de casa estava lotada na letra “i”: era irmã para cá, irmã para lá… – brincou ele, arrancando risos da assembléia.

Mas, se ele ri ao falar das crentes que julgava apenas quererem seu dinheiro, também se emociona ao recordar todo o sofrimento por que passou quando decidiu mudar radicalmente de vida. Foi necessária muita insistência de sua mulher e das irmãs que a acompanhavam para que Rodolfo se convertesse. Mais do que isso, foi preciso que ele adoecesse seriamente e emagrecesse bastante para lançar mão da fé. Filho de médicos – seu pai, Manuel, é ginecologista-obstetra, e sua mãe, Jacira, é pediatra -, ele abdicou da ciência quando passou a sentir fortes dores no estômago e a ver caroços espalhados por seu corpo:

- Não conseguia nem planejar meu futuro, pois me encontrava em uma das fases mais doentias da minha vida. Morria de medo de fazer algum exame e ter o diagnóstico de que ia morrer. Mas entendi que estava com uma doença muito grave pelo conjunto de sintomas que tinha no meu corpo.

Lauro Neto – O Globo

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Por mais de uma década, Rodolfo posou de menino maluquinho à frente do Raimundos. Em junho de 2001, veio a bomba: ele abandona os colegas de banda e vira um fervoroso religioso. Mas será que é isso mesmo?

Agora, Rodolfo Abrantes abre o jogo para Shopping Music, contando as verdades e mentiras que envolveram a separação, uma verdadeira incógnita na cabeça de muito fã. De quebra, ele fala sobre seu novo grupo, Rodox, que está pintando no pedaço com o primeiro álbum!

Shopping Music – Rodox tem alguma ligação com inseticida?

Rodolfo – Não, não. É um apelido que tenho desde pequeno, a galera da escola me chamava de Rodox, mas aí virou o nome da banda. É também pro pessoal não confundir, muito nego fala: “Tua carreira solo”. Carreira solo? sai daqui!

Carreira solo é um cara, um violão e acabou. Não gosto disso porque é muito ego. Eu não fiz sozinho, tinha outras pessoas gravando comigo.

SM – E como foi a retomada?

Rodolfo – Ah, é bom né? Eu não tinha plano nenhum de gravar disco. Quando saí da banda, em junho, sabia que ia gravar um disco de hardcore, mas não tão cedo. Pensei em ficar pelo menos até o fim desse ano só pegando onda, descansando a cabeça, longe de trabalho, de correria.

O (DJ) Bob sempre me chamava para ir à casa dele fazer um som, só que eu estava sempre na correria. Quando saí da banda, encontrei com ele de novo e foi a mesma conversa. Já estava há um mês sem fazer nada e falei: “Quer saber, vou.”
Desse encontro, saiu a letra da música “Estreito”, que ficou pronta numa tarde. Voltei lá no outro dia e a gente fez mais duas. A brincadeira ficou boa e foi do jeito que tem que ser, na diversão. Aí calhou de receber o convite do Tom (Capone) pra gravar ainda o ano passado. As coisas rolaram perfeitamente.

SM – E a banda?

Rodolfo – Quem está no disco é o Bob, que cuidou da parte eletrônica, o Fernandão, baterista que também toca no Pavilhão 9, e eu, que fiz a parte do baixo e da guitarra. Da banda participam ainda o Marcão (guitarra) que era roadie dos Raimundos e o Patrik (baixo), ex-Los Hermanos, que hoje está no Biquíni Cavadão. A banda veio só depois do disco pronto, a galera se conheceu em janeiro na gravação do clipe “Olhos Abertos”. Apesar de cada um ter outro trabalho, a banda é fixa. Mesmo porque eu não vou voltar àquele esquema de muito show, turnês exaustivas de viajar na quarta-feira e voltar na segunda.

SM – Por quê?

Rodolfo – Agora eu prezo pela qualidade de vida, sabe qual é? Ficar em casa, dormir bem, comer bem, trabalhar com moderação… É trabalhar pra viver e não viver pra trabalhar. Tenho minha casa, meu carro, dinheiro pra comer…
Não preciso mais que isso. Querer mais tem um preço e pra isso você acaba dando parte da sua vida. Estou prezando isso, preciso também cuidar da minha vida.

SM – Resumindo, tinha mesmo que haver essa mudança?

Rodolfo – Pra mim tinha! Foi o motivo que me fez sair da banda. Sempre cantei a minha verdade. Canto o que vivo.

Como tinha no Raimundos a música “Pitando no Combão”, que era a Kombi lá de casa, “Puteiro em João Pessoa”… que cara vai falar da primeira vez num puteiro? (Nota do Editor: Ele abaixa a cabeça com vergonha). Só eu mesmo! Mas era a minha verdade e eu não tinha vergonha porque vivia aquilo.

Você vai ter vergonha do que você é!? Então, você é uma mentira!? A minha vida tinha mudado e eu ainda estava preso àquelas coisas do passado. Eu tava cantando coisas que não concordava nenhum pouco. Vou dar o exemplo da maconha, que eu falo em toda entrevista. O pessoal fala: “Que saco, esse cara vai falar disso de novo!” Claro que vou!
Falei tanto que era legal que tenho responsabilidade pra falar da versão que passei. Pô, tinha músicas que eu falava direto de maconha, eu tava lá cantando e achando maconha uma… porcaria! Aquilo quase arruinou a minha vida. Tava naquela, sabe qual é!? Estava vivendo uma mentira. Eu estava representando um personagem, me traindo e precisava falar de outras coisas. Eu já estava muito distante da galera.

SM – Mas você conversou com os outros integrantes da banda?

Rodolfo – Não. Cheguei no dia e falei: “Tô fora.” Não fui conversando antes. Não tinha certeza, era tudo muito novo. Comecei a ver as coisas e percebi como estava distante. A relação com a galera estava fria. Eu já não tinha mais nada a ver com aquilo. Tinha que buscar minha paz, não estava satisfeito com o excesso de trabalho.

SM – Você não acha que pode ter sido falta de conversa?

Rodolfo – Também foi falta de conversa, mas a distância estava muito grande. Eu não tava me sentindo bem, estava cansado, me sentindo falso de estar fazendo uma coisa que não queria, de estar cantando coisas que não vivia. Eu decidi saí da banda no último final de semana de show da turnê (N. do E.: 16 de junho de 2001). Quando saí pra viajar eu falei: “Cara, que saco! Não quero ir”. Nisso, eu fiquei analisando o porquê de não quer ir? Fiquei observando o show, letra por letra… porque às vezes eu cantava no automático. Comecei a pensar nas letras e falei: “Cara, que é isso?” Foi aí que comecei a pensar no futuro, vou gravar mais um disco… argh… de jeito nenhum! Eu acordei e falei: “Cara, essa não é mais a minha, acabou a turnê. Tô fora!” E sai…

SM – E como anda o relacionamento com os ex-companheiros?

Rodolfo – Com o Canisso, tá numa boa. Com os outros (N. do E.: Fred e Digão) no começo a gente ainda se falava, mas depois acho que foi caindo a ficha da galera, não sei. Cada um teve uma reação. Eu ouvi um monte de coisa negativa.

SM – Fala-se muito também…

Rodolfo – As pessoas falam muito mesmo! Aí fica um monte de história, um diz que me diz, fofoquinha… Passo longe disso. Mas aconteceu o que tinha que acontecer.

SM – Sua conversão acabou virando motivo de piada…

Rodolfo – Não parece piada, realmente é uma piada. Acontece que um mês antes de sair da banda, dei uma entrevista que falava sobre minha conversão. Quando correu a notícia, um mês depois, a revista estava na banca com a matéria na capa. Então a imprensa pensou: “É por isso que ele saiu da banda, virou crente.” A notícia que foi dada é que eu me converti ontem, virei extremamente religioso e falei: “A religião não me permite tocar no Raimundos.” A mídia adorou isso, precisavam de um culpado. Ninguém entende que saí porque não estava mais feliz. Isso é uma manchete sensacionalista e perfeita pra vender revista. Já vi nego saindo de banda porque teve overdose, porque saiu no pau com os outros, porque está internado numa clínica, por causa de doença, porque morreu… Agora, porque virou crente! Essa eu nunca vi. Acho que podia entrar no Guinness Book. Eu saí porque eu não estava cantando a minha verdade, é simplesmente isso. As pessoas pensam que sou cristão e não posso estar tatuado e com meus brincos. As pessoas olham para o que podem ver e tocar. Não sou um cara religioso, se fosse eu estava cantando música sertaneja de louvor na igreja, sacou!? Se as pessoas que estão na igreja forem ler minhas letras, elas vão saber exatamente do que é que estou falando. Estou falando de coisas comuns a qualquer pessoa.

SM – Como foi que você chegou a Deus?

Rodolfo – Foi em janeiro do ano passado. Tenho um ano de crente, um ano de vida. No dia 4 de fevereiro é outro aniversário, fez um ano que parei de fumar maconha. Foi muito importante pra mim, pela atitude de decidir e mudar 180 graus. Vejo as coisas que fazia há um ano e meio atrás, caramba! Parece que faz dez anos. Hoje, sou muito diferente, tanto nas coisas que eu pensava como no jeito de agir. Minha vida estava muito ruim, tava um saco. O pior é que eu tinha tudo, não tinha motivo nenhum pra estar um saco, mas tava. Eu estava vazio. Aí fui buscando e aceitei Deus na minha vida. A verdade é que não é a gente que escolhe Deus, Deus vem e escolhe. Eu estava morando com a minha mulher, Alexandra, e a gente ficava se afundando na night, se drogando um monte… A nossa vida tava uma porcaria, a gente tava mal, no carrego mesmo. Então, começamos ler a bíblia e aquilo dava conforto. Descolamos umas irmãs que faziam orações e aquilo era real. Quando tinha as orações a gente ficava melhor. Mas depois voltava o peso de novo… Então foi aquele negócio, a gente começou a buscar, buscar… e quanto mais buscava mais melhorava.

SM- Ter uma pessoa do lado ajudou?

Rodolfo – Nós fomos juntos, sacou? Por isso que eu casei com ela (N. do E.: em julho de 2001). Casamento é muito mais que gostar de uma pessoa, é estar do lado, ser um só. Nos momentos bons todo mundo está do seu lado, mas quando está tudo mal é que você vê quem é quem. Nós fomos juntos pro fundo do poço e tentamos sair juntos. Paramos de fumar maconha junto, paramos de fumar cigarro junto. Em todas as lutas a gente estava um do lado do outro. Quando eu achei que o mundo todo estava caindo na minha cabeça, eu tinha ela. Ali eu vi que ela era a minha companheira mesmo. Sem ela teria enlouquecido.

SM – Sua relação com a família mudou?

Rodolfo – Nossa… O melhor Natal que eu passei na minha vida foi esse. Meus pais também acham. A mentira que existe entre você e a sua família, seja a mentira que for, é uma barreira que vai estar sempre ali. E eu consegui remover isso. Foi um choque para os velhos. Um dia peguei o telefone e falei um monte: “Negócio é o seguinte, eu tô noivo, eu sou crente, parei de fumar maconha…” eita! Foi meio que uma overdose de verdade pros velhos, mas hoje eles dão graças a Deus. No começo, todo mundo, meu pai, minha mãe, meu irmão… acharam que eu estava doido. Eu tava distante, eu aqui em São Paulo, meu irmão no Rio de Janeiro e meus pais em Brasília. Eu nem liguei pra eles pra contar que ia sair da banda. Eles souberam pelos jornais. Foi aquela loucura toda. No réveillon desse ano, quando deu a meia-noite, me deu um flashback e comecei a repassar o ano todo, comecei a chorar. A passagem do ano pra mim foi chorando, veio o peso do ano todo. Mas foi bom. Eu me perguntava “como eu agüentei?” Aí vinha aquele pensamento: “Foi Deus!”

SM – Você tem muitos arrependimentos?

Rodolfo – Não, muito poucos. Só arrependo de ter me lascado tanto. Acho que me estraguei um pouco além da conta. Também não via limite nas coisas. Aquele negócio de ver até onde você vai.

Eu não tinha freio pra falar “chega!” Nunca fui de drogas pesadas, meu problema era a maconha. Eu fumava demais. E a maconha te engana, você acha que ela não faz mal, que é só um matinho… Acabei consumindo demais, demais… Eu ia onde o vento me levava.
Seguia a corrente. Muitas vezes estava num programa de televisão que achava uma porcaria porque não tive atitude pra dizer que não queira estar. Ficar reclamando da vida e não fazer nada pra mudar não dá certo. Comigo foi assim. Uma das melhores coisas da minha vida foi ter parado de fumar maconha. Mudou tudo. Deus mudou tudo na minha vida!

SM – Então você é o mais novo adepto da geração saúde?

Rodolfo – Sou mesmo. Tenho que ser porque engordei 16 quilos. Eu nem estou gordão, é que tava muito magro, muito… argh… destruído. Eu tinha que ter trazido uma foto pra mostrar o estado que estava. Se olhar até arrepia. Você ia achar que eu estava com cara de aidético, as bochechas chupadas, olho fundo, pescocinho muito fino. Decorrência do estilo de vida autodestrutivo que eu levava. Estava me matando aos poucos e, se continuasse, garanto que ia morrer. Eu tava muito mal. Pô, 16 quilos em cinco meses. Tinha 64 kg e agora estou com 80 kg. Estou meio buchudo, tem uma pochete aqui na barriga que não sai por nada. Estou com 29 anos e a mudança tinha chegar. Na vida tem uma hora que você encontra uma bifurcação, ou pra lá, ou pra cá, você escolhe. Eu escolhi o mais estreito, mas pelo menos sei que tem luz.

SM – Qual é a principal diferença entre o Rodox e o Raimundos?

Rodolfo – Cara, tudo! Sou outra pessoa, as coisas que eu quero falar são outras. O peso é o mesmo, mas o fato de serem outras pessoas tocando já deixa completamente diferente. O que pega mais é o conteúdo, a temática que é diferente.

SM – Quem ouve o disco percebe que você se dirige para o Rodolfo que ficou no passado…

Rodolfo – O disco fala de transformação. Falo de coisas que precisava ouvir e que acho que as pessoas precisam ouvir. São coisas que estava sentindo na hora. Me isolei de tudo quando estava compondo. Vinha gente mostrar o que tinham falado de mim nas entrevistas e eu nem queria ver, porque se eu me contaminasse com isso, podia sair nas músicas. E música é uma coisa que hoje em dia eu tenho muito mais cuidado com o que vou dizer. É uma parada que fica pra sempre. Quando você está com um sentimento ruim e coloca na música, você passa a vida inteira cantando o sentimento daquela época. Você até supera aquilo, mas está preso ao passado. Não renego o passado, ele é importante, mas você não tem que andar acorrentado a ele a vida toda.

SM – A música “Três Reis” é um dos maiores destaques do disco. De onde veio a idéia de colocar o título bíblico, a levada hip hop e incluir duas parcerias inusitadas (N. do E.: o rapper Xis e Falcão, do grupo O Rappa)?

Rodolfo – Tem uns ETs no disco. Eu tinha acabado de sair na banda quando rolou o VMB – Video Music Brasil. Tava um clima tenso no ar. Eu passava e só sentia os olhares. Lá, encontrei o Falcão (do Rappa) que me pegou pelos ombros e falou: “O que você fizer pode contar comigo, sei do que você está falando.” Eu senti muita sinceridade no cara. Nunca falei isso pra ele, mas tive até vontade de chorar na hora. Estava precisando de um apoio. Aí, eu chamei o Falcão. Com o Xis foi uma coincidência, porque ele estava finalizando o disco dele (N. do E.: Fortificando a Desobediência) no mesmo estúdio que eu estava gravando. Como sou fã, chamei ele. Depois passei minha parte pra eles terem uma idéia do que estava falando e cada um fez seu pedaço. A música fala de como me livrei da droga, da detonação… O nome “Três Reis” não é porque eu me ache rei, nem seja rei de nada. Lembrei da bíblia quando Jesus nasceu e vieram os três reis magos de lugares diferentes e deram seus presentes para aquele que estava nascendo. Acredito que qualquer pessoa que esteja tomando a atitude de mudar de vida está nascendo de novo. Eu de Brasília, Falcão, do Rio de Janeiro, e o Xis, de São Paulo, estávamos dando nosso presente pra essa pessoa que estava nascendo: eu. “Três Reis” foi uma benção pra mim.

SM – “Cego de Jericó” é a música mais porrada do repertório e ao mesmo tempo a que mais exalta seu lado cristão…

Rodolfo – Essa é de crente mesmo, é aquele negócio “eu sou crente e glória Deus no final (risos).” Das músicas do disco essa é a única que me arrepia. É porrada mesmo. Eu escrevi a letra quando estava no Raimundos, mas eu nem falei pra eles. Não podia dar uma brecha dessas, eles iam me achar louco. Tem até uma história engraçada. Quando o Raimundos tocou no Abril Pro Rock, em Recife, no ano passado, nós fomos surfar em Maracaípe. Quando entrei no mar, um cara veio puxar papo e aí ele me chamou para ir num culto à noite. Como eu tinha me convertido há alguns meses, topei. Eram todos surfistas de Cristo. Fui lá, dei meu testemunho, chorei um monte na frente do povo. Aí me pediram pra cantar uma música e eu cantei essa. Isso tem gravado em vídeo, tem gente em Recife que sabe cantar a música todinha.

SM – Estreito é um disco autoral e as 12 faixas são extremamente biográficas. Você não acha que se expôs demais?

Rodolfo – O disco não tem nada que nunca foi dito, mas é a verdade, não estou inventando uma história. É como quando você assiste a um filme em que a história é muito louca. Aí, no final, tá lá escrito: “Baseado em fatos reais” E você fala: “Eita!” A verdade tem peso. Mais peso que qualquer coisa. Uma vez um cara me perguntou que público eu achava que ia atingir com esse novo disco? Eu falei: “Cara, quem tiver ouvidos que ouça”. Às vezes fico até com vergonha. Acho que falei demais de mim e que todo mundo vai ficar sabendo quem sou. Mas não vou mentir, gosto de música que tem melodia legal, gosto de música de amor, quando é feito de uma forma legal. Acho que o que falta neste mundo é mais amor nas pessoas. Quer falar de uma coisa boa? Fala de amor, vai estar dando dentro sempre. É o melhor sentimento que tem, é o mais construtivo. É o sentido da vida, é o que Deus é. Deus é amor.

Por Patrícina Cichini


www2.uol.com.br/…/marco2002/entrevista.htm

(…) “Estava nesse estado, sozinho, morando em São Paulo, com uma vida louca, trezentas namoradas por aí espalhadas, drogas a valer, balada todos os dias, fã de montão, disco de platina, dinheiro na conta, agenda lotada de shows, e completamente infeliz.”

(…) ”Eu aceitei Jesus naquele dia, sabe porquê? Porque Deus dominou o lugar, Deus dominou o lugar completamente…”

“Jesus estava a caminho da crucificação, já tinha sido humilhado de todas as formas, naquele momento faltaram-lhe forças. Um homem cirineu, chamado Simão, estava vindo do campo, e a guarda romana o constrangeu para ajudar Jesus a carregar a sua cruz. (Lucas 23:26).

No ano de 2000, eu estava cheio do que o mundo diz que é o auge, que é tesouro, que é beleza, fama, dinheiro, e tudo isso que o mundo pode oferecer para uma pessoa, e as pessoas se matam por isso.

Eu estava cheio de tudo isso, mas por dentro eu estava na maior miséria que eu já enfrentei na vida.

Eu viajei com meu irmão pra a praia da Pipa para passar um revellion junto com ele e naquele mês que eu passei com ele eu só sabia falar cinco frases que eram: ‘vamo fuma’, ‘vamo come’, ‘vamo chapá’, ‘vamo surfá’ e ‘vo não’.

Porque quando ele me chamava para fazer uma coisa diferente dessa eu dizia ‘vo não’.

Em um mês eu falei apenas cinco frases com meu irmão, de tão drogado que eu era, de tão infeliz, de tão sem assunto, de tão vazio, porque ninguém dá o que não tem.

Como é que eu ia falar alguma coisa, eu não tinha nada!

Eu era seco, vazio, um nada , um boneco, corpo presente ali. Em qualquer lugar que eu estivesse, minha cabeça estava em marte. Eu não sabia nem onde é que estava.

Tem cidades que eu fui que eu nem sabia que tinha ido.

Lesado, completamente drogado. Estragado. Usava droga desde os treze anos de idade.

Mas Deus viu a minha situação e sabia que dali em diante eu não
conseguia carregar nada sozinho.

Eu estava morrendo, e com os sintomas de um monte de doenças no meu corpo.

Por ser filho de médicos (mãe pediatra e pai ginecologista e obstetra) conheço um pouco de doença, então sabia que o que tinha no meu corpo era algo muito sério.

Comecei a emagrecer de uma hora para outra, e tinha uma dor no estômago que me corroía todos os dias.

Começou a aparecer um monte de caroços debaixo do braço que doíam muito, cheguei a contar nove caroços debaixo do braço, fora os da virilha que eram enormes, doíam demais.

Eu tinha que tomar dois antiinflamatórios por dia para poder fechar os braços.

Eu estava em um estado terrível porque sabia que ia morrer. Ter saúde é uma bênção.

Estava nesse estado, sozinho, morando em São Paulo, com uma vida louca, trezentas namoradas por aí, espalhadas, drogas a valer, balada todos os dias, fãs de montão, disco de platina, dinheiro na conta, agenda lotada de show e completamente infeliz.

Aí tinha a Alexandra, que é minha esposa, que ‘estava passando, vindo do campo’.

Eu a conheci em 1994, e fui reencontrá-la no ano de 2000.

Deus nos colocou juntos de uma forma milagrosa pois havia seis anos que tínhamos nos conhecido e pelo menos uns três que não nos víamos e eu me reencontrei com ela e nós não nos desgrudamos mais. Trouxe-a para São Paulo, para morar comigo.

Ela estava mais drogada do que eu. As drogas que ela consumia eram muito mais fortes dos que as que eu usava. Mas acontece que a Alexandra tinha uma coisa dentro dela que eu não tinha, uma coisa que vale mais do que o mundo inteiro.

Ela tinha uma semente que se chama Palavra de Deus dentro do coração dela, porque aos quinze anos, quando ela me conheceu, ela conheceu a Jesus também.

Só que naquela época ela não seguiu nem a mim e nem a Jesus. Mas era o suficiente para saber que Jesus era o auxílio na hora da dificuldade. Toda vez que a coisa ficava preta, ela corria para dentro da igreja.

Essa era a mulher que Deus colocou ao meu lado, uma mulher torta.

Muita gente podia dizer que essa mulher era pior do que eu.

Mas Deus não faz acepção de pessoas e Deus escolhe quem quer.

Não interessa se você é o Presidente da República ou se você é gari.

Um homem torto, com uma mulher torta. E começamos a brigar e a nos agredir.

A nossa vida virou um reflexo de tudo o nós fazíamos: um casal drogado, vivendo em pecado, na mentira, porque os pais dela nem sabiam que ela morava comigo.

Lá na casa dos pais dela podiam falar cão, mas não podia falar Rodolfo.
Hoje minha sogra é uma bênção e trabalha conosco lá na igreja.

O cenário para o diabo operar estava completo.

Mas Deus, que é o todo poderoso, começou a mexer as coisas também.

E a Alexandra começou a buscar a JESUS e a se encher.

E dizer: Se tu me deres o Rodolfo, eu nunca mais te largo.

E o fogo começou a aumentar e os capetas tentando apagar através de mim, que era um saco de demônio, mas Deus estava ali protegendo a brazinha dela e o foguinho foi pegando e pegou num ponto que consumiu o Rodolfo no coração dela, ao ponto dela dizer: Senhor, com Rodolfo ou sem Rodolfo eu nunca mis te largo!

Já não era eu mais em primeiro lugar, era Jesus aí estava do jeito que Deus gosta. Deus estava em primeiro lugar, aí Deus começou a transbordar na vida dela.

Ela convidou umas irmãs para fazer uma campanha de oração dentro de casa, porque essas irmãs também foram Cirineu, para ajudar a Alexandra a carregar a cruz dela, não pense que ela conseguiu sozinha.

Elas começaram uma campanha de sete segundas-feiras lá em casa. Eu fugi das três primeiras, na quarta, Deus me pegou, não teve jeito.

Eu não queria saber de crente e achava que era a pior raça, que crente só servia para tirar dinheiro. ‘Eu sou doido, mas crente é ainda mais doido, não presta’.

Eu aceitei Jesus naquele dia, sabe porquê? Porque Deus dominou o lugar, Deus dominou o lugar completamente, eu não sabia isso na hora, claro.

Hoje eu sei.

Aquelas irmãs chegaram com simplicidade.

Eu que nunca tinha visto um culto evangélico na minha vida, o primeiro era um culto ultra, mega, super pentecostal ao extremo dentro de casa, dentro da sala em que eu fumava maconha.

Era irmã correndo, dentro do banheiro todo enfumaçado em que eu tinha acabado de fumar, estava lá a irmã orando na latinha, numa latona de maconha que eu tinha a irmã orava na latinha e era irmã pra tudo quanto é lado.

E eu perguntava: Deus que negócio é esse? Sabe o que aconteceu?

Deus tomou conta do lugar, Deus tomou conta.

Era a presença de Deus enchendo aquilo ali. Glória a Deus! Aceitei Jesus naquela tarde, meio sem saber o que estava fazendo. Não sei porque eu aceitei Jesus.

Acho que foi para elas irem embora. Mas eu aceitei Jesus e Ele entrou e não teve mais como escapar, Ele entrou.

E quando Ele entrou, começou a trabalhar, e começou a mexer as coisas.
Passou uma semana, e o Rodolfão estava lá no segundo culto da vida dele, dentro de casa, porque eu era tão doido que eu nunca ia pisar numa igreja, e aí Deus é tão misericordioso que Ele enfiou uma igreja prontinha dentro de casa.

Nessa segunda semana, Deus se revelou para mim dessa maneira a
irmã começou a orar sem eu pedir nada.

Ela começou a orar e abaixou a mão até a minha barriga e me disse que Jesus estava me curando de um câncer para você saber que Ele é Deus, que Ele te ama e que Ele tem uma grande obra para fazer na sua vida.

Ela falou que era um câncer de estômago.

Meu avô morreu de câncer, dois tios meus morreram de câncer no estômago, duas tias minha tiveram que arrancar os seios porque tiveram câncer; era uma maldição que se alastrava na minha família.

Graças a Deus Jesus Cristo cortou quando chegou em mim.

Naquela tarde a minha dor de estômago desapareceu, e todos os caroços que eu tinha desapareceram. Passei a engordar, ceguei a engordar uns 18 quilos, não e uma hora para outra, fui ficando saudável e engordando, feliz, Jesus foi entrando em minha vida.

Fui curado, passei a viver apaixonadamente por Jesus e aquelas irmãs viraram Cirineus em minha vida. Começaram a me ajudar, com muito amor.

Fomos caminhando. Fui expelido daquela banda como um dente que cariou e que tem que ser arrancado. Deus me tirou de lá.

Graças a Deus, no momento certo. Levei muitas pedradas por causa disso, levo até hoje. Deus tem um treinamento intensivo com quem se coloca à disposição.

Você quer servir a Cristo? Então te prepara irmão!

É um privilégio maravilhoso sofrer por Jesus Cristo.

Naquele momento os pais da Alexandra que estavam desviados, começaram a ver a obra, a ver que agente não se drogava mais, que estávamos noivos, depois nos casamos rapidinho.

Em meu primeiro testemunho, subi no púlpito e comecei a chorar.

Eu só sabia dizer: fui curado e não uso mais droga, não conseguia falar nada, só chorava.

Eu não entendia mais nada e pensava: pra falar palavrão no microfone eu falo tão bem, porque que pra falar das coisas de Deus eu não consigo?

É porque até você se acostumar com o fogo do altar leva tempo!

É o fogo queimando as impurezas ainda.

Quer ter vitória, anda no caminho do Senhor, obedece.

Hoje eu não bebo não é porque eu não posso, é porque eu não quero.

Eu quero ter comunhão com o meu Pai.

Isso vai atrapalhar minha comunhão, então fora! Atitude inteligente é você andar por um caminho que te leva pra vida e não em um caminho que te leva pro buraco!

Vai pra vida e você vai ver que você é feliz sem uma gota de álcool! Sem um cigarro, sem uma droga, você vai ver que é feliz! Sem nada dessas porcarias, você vai ver que é feliz sem nenhuma dessas porcarias! Presença de Deus.

Isso satisfaz o ser humano.”

www.baladagospel.com/…/testemunho_24.htm

 

Entrevista exclusiva com Rodolfo, vocalista da banda Rodox e ex-vocalista do Raimundos, que sem dúvida foi uma das principais bandas de rock do Brasil em todos os tempos.

Apesar de não ser um projeto solo de Rodolfo, a banda Rodox nasceu e começou a andar com as idéias dele, que também compôs todas as músicas da banda, que fazem parte do primeiro CD. Agora, com uma identidade definida e com o espaço e público que vem conquistando, o Rodox prepara-se para colocar Rodolfo novamente no topo das paradas nacionais.

Portal do Rock: Primeiramente gostaria que a banda fosse rapidamente apresentada, falando um pouco das bandas/trabalhos anteriores de cada integrante.

Rodolfo: A banda é formada por Rodolfo, Bob (DJ e Skydiver), Fernandão (bateria, toca com o Pavilhao 9 também, ex-Korsus, ex-Treta), Patrick (baixo, tocava com Los Hermanos), Pedro (mais novo integrante, guitarra, tocava no Wackykids) e Marcao (guitarra, ex-Anjos da Noite)

PR: Rodolfo, como está sua cabeça neste momento em que o Rodox já conquistou seu espaço na cena rock brasileira, comparando-se com o que vc sentia quando deixou o Raimundos?
Rodolfo: Me sinto extremamente realizado em todas as áreas da minha vida. Quando deixei os Raimundos, o que sentia era o oposto disso.

PR: O fato de vcs estarem na mesma gravadora (Rodox e Raimundos), gera algum tipo de ciúme por parte de algum dos lados ou as coisas continuam na mesma, no que se refere a tratamento, como por exemplo: apoio em divulgação, estratégias de marketing, agenda na mídia, etc.

Rodolfo: Não. A gravadora tem vários outros artistas também. Existe espaço para todos.

PR: Como é processo de composição no Rodox? Existe espaço para criação para todos os integrantes da banda ou fica concentrado no Rodolfo?

Rodolfo: O método de composição das próximas músicas contará com certeza com a opinião de todos os membros da banda, já que agora existe uma banda. No primeiro disco a banda ainda não tinha sido formada e eu compus tudo sozinho com o Bob.

PR: Como vc descreveria o público do Rodox? Sabemos que o público do Raimundos era e é formado por pessoas que curtem punk rock, hardcore e rock “paulera” em geral, mas também pela galera que curte o que a mídia (rádios e MTV) manda! E no Rodox, como está segmentado o público da banda?

Rodolfo: O público do Raimundos sempre foi abrangente, na época em que sai da banda a maioria era um público bem pop, pois a banda havia se tornado pop. Rodox não faz playback nem letras engraçadinhas (elementos que agradam o público pop). O Rodox faz hardcore de verdade ,no som, nas letras e na atitude.

PR: Ao deixar o Raimundos, o Rodolfo disse por várias vezes que o motivo maior de sua saída na banda foi o fato de não “compartilhar” com os rumos que a banda tomou, tanto musicalmente como na atitude, ou seja, ele se desencantou com a banda como um todo, certo? Isso também se dá com o punk rock, mas especialmente quanto ao som dos Ramones? Sim, porque o Raimundos continua reverenciando os pais do punk, inclusive estão lançando uma música em homenagem à Joey Ramone. E o Rodolfo, esqueceu os Ramones?
Rodolfo: Realmente eu não me identificava mais com as letras porque eu já não vivia mais aquilo, não me identificava mais com a atitude, porque não existia atitude e não suportava mais o clima de emprego, fazendo shows sem motivação. Isso não tem nada a ver com punk rock. Eu adoro punk rock e nunca vou me esquecer do Ramones, mesmo porque eles sempre foram a minha maior influência.

PR: Falando de Ramones, como foi sentida as mortes de Joey Ramone ano passado e Dee Dee Ramone recentemente?

Rodolfo: Enquanto houver alguém ouvindo Ramones o Joey estará cantando. Quando eu o vi pela primeira vez, ele já estava bem doente e eu espero que ele esteja em paz. Certamente a morte do Dee Dee me chocou mais, porque ele se matou através das drogas.

PR: Rodolfo, uma coisa que vc não abandonou mesmo e parece que está cada vez mais presente no seu visual é o body piercing? Como vc encara esta verdadeira febre que toma conta da juventude, pelo piercing e pelas tattoos?

Rodolfo: Antigamente se dizia que tatuagem era coisa de bandido, hoje é normal. Algum tempo atrás body piercing era coisa de índio, hoje pessoas das mais variadas tribos urbanas e classes sociais já estão usando. Eu sempre gostei de tatoos e quando percebi, minhas orelhas haviam crescido. Acho importante as pessoas terem certeza do que estão fazendo, para não se arrependerem depois. Eu fiz porque gosto e continuo gostando (ainda bem).

PR: Alguma mensagem especial para os novos fãs do Rodox e para os fãs do Raimundos que ainda não se ligaram no som da banda?

Rodolfo: Obrigado pelo apoio e fiquem ligados, pois em breve estaremos na sua cidade. Faça pelos outros aquilo que gostaria que fizessem por você. Toda ação provoca reação. Liguem-se no que é verdadeiro e fiquem de olhos abertos (tem muito pilantra querendo se dar bem em cima de vocês). Fiquem com DEUS.

 

Marcio Faveri – da redação

Fotos: divulgação

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Tenho que admitir que tentei não falar nada sobre a traumática saída de Rodolfo de sua ex-banda Raimundos. Digo traumática porque qualquer tipo de separação é complicada, deixa seqüelas e arestas que só o tempo pode curar. Quem poderia imaginar que o vocalista de um dos grupos mais famosos do país fosse sair bem no auge da carreira! Há coisas nas profundezas da alma humana que são difíceis de explicar. A insatisfação com determinadas situações pode gerar reações bem distintas, alguns deixam o barco correr e se retraem, outros dão um basta em tudo e mesmo que o risco seja alto mudam a direção de suas vidas. Foi o que aconteceu com o Rodolfo e como ele próprio diz em uma de suas letras: “Quem tem coragem não finge”. A sua saída dos Raimundos é apenas parte de todo um processo de transformação e o RODOX, resumo de todo um período de mudanças, de redenção, de encontro consigo mesmo.

O RODOX, não é um projeto solo, poderia até ser. É obvio que o Rodolfo é a mola propulsora de tudo, o cara que fez as coisas acontecerem, por isso é até o momento a figura principal da banda. Foi ele que pegou um monte de idéias, letras e canções, foi pra casa do DJ Bob e começou a montar as músicas, definiu aos poucos o estilo. Tocou guitarra, baixo e cantou enquanto o Bob cuidava dos efeitos eletrônicos e foi chamando a rapaziada. Tom Capone, o mestre dos magos de estúdio, foi chamado para produzir tudo e de quebra fez uns efeitos de guitarra e tocou baixo em uma das músicas. Quando tudo estava mais ou menos pronto o novo convocado foi o Fernandão (ex-Korzuz e Pavilhão 9), batera dos bons, rápido, peso pesado, tipo Mike Tyson, que em tempo recorde gravou as bateras de doze músicas. Foram cinco dias. Quem conhece do assunto não acreditou.

O resultado é um CD surpreendente, é exatamente a mesma coisa que eles sempre fizeram só que diferente. Quem já ouviu “Olhos Abertos” a música de trabalho que também abre o CD, pode ter tirado conclusões erradas. Ela soa quase como um new metal, mas não é; tem suingue no meio do peso das guitarras. “Não lembro mais”, “De uma só vez” e “Ao lado do sol” as três músicas que vêm na seqüência são hardcore tipo arrasa-quarteirão. Aliás, no disco tem hardcore de tudo que é tipo, gênero e grau; tem estilo Nova York, mais porradão; estilo Califórnia, mais melódico; estilo Pirituba, Barra Funda e Tremembé (bairros de São Paulo).

Completam o RODOX Marcão Ardanuy (ex–roadie dos Raimundos) na guitarra e Patrick (ex–Los Hermanos) no baixo, que não participaram deste disco, mas estão cheios de gás para as apresentações ao vivo. De resto, o Rodolfo está de banda nova, vida nova e continua o mesmo de sempre, irrequieto e instigante. Sorte nossa!

Clemente T. Nascimento
Voz e guitarrta da banda Inocentes

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